Hackeando a putaria: Feministas revolucionam festas de amor em São Paulo


A couple in the "photo room" during the party. Photo by Luciano Garcia.
Vista de uma das salas antes do início da festa. Foto de Roniel Felipe e iluminação de Rafaela Romitelli.
Um casal na “sala de fotos” durante a festa. Foto de Luciano Garcia.

Três mulheres em São Paulo estavam insatisfeitas com as atuais opções de festas, orgias e clubes de swing e criaram seu próprio formato. O trio — Flavia Amorim, Ana Paula Galvão e Regiane Moraes — realizou um grandioso evento em dezembro. Foram 80 homens e mulheres de várias sexualidades, centenas de camisinhas, arte culinária erótica, pintura corporal, música ao vivo, uma iluminação sedutora em todo o ambiente e regras que, embora fossem rigorosas, foram cumpridas com bastante alegria.

Eu conversei com duas das organizadoras, Flavia (conhecida como a blogueira Rubia Matadora) e Ana Paula, e também com alguns convidados — a quem vou me referir como Sofia, Heliane e “o violoncelista” — sobre como a festa foi organizada para priorizar a sexualidade, a segurança e o conforto da mulher. Elas também me permitiram compartilhar algumas fotos da decoração feitas antes do evento e fotos eróticas artísticas da sala de fotos da festa (câmeras foram completamente proibidas no evento).

Cultura e sexualidade brasileira

Para entender a festa e seus objetivos, é importante conhecer o contexto cultural da sexualidade brasileira.

Heliane: O Brasil é um país bastante católico, portanto a liberdade sexual é reprimida. Se você quer ter uma relação sexual, deve ser com somente uma pessoa, não duas ou três. (…) Os brasileiros veem a Europa como um lugar mais livre sexualmente. Nós vivemos em uma prisão sexual.

Os europeus tendem a ver o Brasil como um país mais liberal. Mas o Brasil não é a terra do hedonismo que os estrangeiros acham que é quando veem o Carnaval. Há bastante negatividade em relação ao sexo e particularmente pouca aceitação de várias sexualidades alternativas, incluindo o poliamor.1Eu morei no Brasil, nos EUA e em vários países da Europa; não achei nenhum “mais” liberal ou “mais” reprimido. Eles são liberais e reprimidos à sua própria maneira.

É também vital reconhecer o atual estado das relações de gênero no Brasil. A cultura brasileira está longe de ser a mais misógina do mundo, mas também não é a mais progressista ou feminista. Antes, aqui no TP, falamos sobre a agressividade masculina no Brasil no contexto do beijo; espera-se que os homens se utilizem de métodos agressivos de paquera e que as mulheres recusem inicialmente e depois cedam. É claro que isso leva a todo tipo de problema.

Essa mensagem foi destacada em todas as etapas do planejamento e nas festas propriamente ditas. Foto de Roniel Felipe.

As três organizadoras desejavam criar um espaço para sexo, paquera e diversão que fosse muito mais confortável para as mulheres, significando antes de mais nada que as mulheres se sentissem completamente empoderadas para dizer não. Elas também estavam insatisfeitas com as opções para diversão sexual em São Paulo, pois elas não são atraentes para as mulheres.

Flavia: Quando você vai para os clubes de swing, a música é horrível, as luzes são fracas, o ambiente é frio e as salas onde as pessoas transam são pequenas e com cortinas. O corredor que leva a essas salas têm segurança.

Para as mulheres, esse é um ambiente frio. Não estimula a sexualidade e não é confortável. As festas em geral têm muitos homens e é um ambiente bem heteronormativo. Geralmente, as mulheres se sentem pouco à vontade nesses espaços.

Os homens possuem espaços permissivos para exercer sua sexualidade, sejam eles casados ou solteiros, como em casas de prostituição, saunas ou clubes gays. Mas esses espaços são tão ruins quanto clubes de swing, possuem salas escuras e escondidas, como se precisasse ocultar o sexo que ali ocorre — por que tem que ser assim, já que o sexo é algo tão bonito? E o outro extremo, existem festas convencionais e alternativas, em que as pessoas dançam, mas não se envolvem. Acabam tendo um comportamento formal e distante.

Além disso, mulheres que têm uma atitude mais livre em relação ao sexo, nesses ambientes tradicionais, são vistas de forma negativa.

Os elementos da recente festa de amor livre em São Paulo, organizada por mulheres e centrada nas necessidades das mulheres

Embora as três agora tenham encontrado alguns grupos fora do Brasil que estão organizando eventos similares, quando elas começaram, estavam caminhando no escuro, tentando encontrar a melhor maneira de fazer as coisas. Ana Paula disse que elas começavam a se referir ao seu trabalho como “hackeando a putaria”.

A casa antes do início da festa; foi realizada uma apresentação de tango com dançarinos sem roupa sobre um chão de vidro. Foto de Roniel Felipe e iluminação de Rafaela Romitelli.

Veja a seguir um resumo do bem-sucedido evento de Dezembro.

Planejamento

As três organizadoras começaram com um grupo secreto no Facebook entre amigos e amigos de amigos, em que todos podiam falar sobre feminismo, amor livre, consentimento, não monogamia e também as especificidades de uma festa como essa. As ideias foram expostas e votadas por todos os membros.

Sofia: O grupo no Facebook foi essencial para que eu me sentisse confortável. Foi a primeira vez que fiz algo desse tipo e eu estava nervosa.

Eu não queria me sentir vulnerável. Mas as regras sobre consentimento, respeito e camisinhas foram definidas de maneira muito clara. (…) Além disso, as organizadoras fizeram com que todos se envolvessem e se responsabilizassem pelo planejamento da festa, que se tornou algo nosso.

Nós não éramos apenas “clientes” da festa, e quando estávamos lá, sentimos que todos estávamos protegidos. A festa em si foi única, mágica, transcendental…

Já no estágio de planejamento através do grupo no Facebook, alguns homens foram eliminados por comportamento on-line agressivo ou grosseiro. Havia excitação, paquera e alguns encontros pré-festa (“Reservem energia para a festa!” lembrou Flavia ao grupo em certo momento). O planejamento ocorreu para decidir sobre a divisão das despesas, preparação da comida, etc.

Apresentação de tango com dançarinos nus

A festa começou com uma apresentação de tango com os dançarinos sem roupa sobre um chão de vidro. “As pessoas se reuniram no nível inferior para assistir”, contou Flavia. “Elas aplaudiam sempre que um par de pernas se abria”. A apresentação definiu o tom da festa, de acordo com as organizadoras, pois as pessoas relaxaram e se sentiram livres para andar pela casa, explorá-la e explorarem umas às outras.

Sala de fotos

Telefones celulares e câmeras foram proibidos e deixados na porta; algumas fotos foram feitas antes do evento por três fotógrafos oficiais e, durante a festa em si, havia uma sala dedicada a fotografia erótica, projeções e pintura corporal. “Isso foi divertido”, disse Heliane, uma das participantes dessa sala. Abaixo, o resultado de algumas pessoas que concordaram em compartilhar suas fotos. As fotos são de Luciano Garcia.

Camisinhas e lubrificante

Cerca de 600 camisinhas e 300 pacotes de lubrificante foram adquiridos gratuitamente de um centro de saúde; mas as pessoas, obviamente, também trouxeram os seus. “Apenas” um terço foi utilizado.

Regiane Moraes prepara camisinhas e lubrificantes para a festa.

Localização

A festa ocorreu em uma casa alugada por um dia em São Paulo; começou às 21h e foi até às 16h do dia seguinte.

Heliane: Eu gostei do estilo rústico, porém moderno da casa, além da decoração contemporânea. É minha área de atuação; eu sou designer de interiores. Eu sei que o design ajuda a criar boas memórias e experiências e (…) para mim a festa foi 100 por cento boa.

Iluminação

A designer Rafaela Romitelli ofereceu seus serviços para o evento e em três horas – entre as organizadoras conseguirem as chaves e os convidados chegarem – ela conseguiu fazer isto. As fotos abaixo são de Roniel Felipe.

Comes e bebes

Uma planilha do Google foi criada para organizar as atribuições de cada um em relação à comida, e a preparação e as negociações se transformaram em um jeito de paquerar. Na lista havia mandioca, rabada, brusqueta… e vários outros pratos de duplo sentido. “São tantos pratos apaixonantes para provar”, dizia um dos comentários.

Embora algumas pessoas bebessem, várias outras comentaram comigo que uma das melhores coisas da festa era que não era necessário beber ou se drogar para curtir. “Eu nunca me senti tão livre em uma festa sem beber”, disse uma das mulheres a Ana Paula quando a festa estava já no fim.

Bebidas. Foto de Roniel Felipe e iluminação de Rafaela Romitelli.

O violoncelista e a orgia lésbica

Um dos convidados era um violoncelista profissional; ele trouxe seu instrumento.

O violoncelista: Eu estava procurando um espaço mais intimista e o encontrei no último andar. Havia uma cama de casal com um beliche. (…) Eu comecei a tocar notas graves. Havia três, depois quatro mulheres transando na cama de baixo.

Eu toquei uma trilha sonora inspirada em quem estava lá e nos seus movimentos. A música tinha altos e baixos que correspondiam ao prazer e aos movimentos delas. (…) Os corpos podem ser vistos sexual e artisticamente. Naquele momento, era uma mistura das duas formas. Ver aqueles corpos entrelaçados foi uma emoção musical, de notas, de acordes. Eu não estava excitado sexualmente, mas, musicalmente, eu estava excitadíssimo.

Eu conversei com uma das mulheres que estavam na cama em entrevista separada, e ela falou a mesma coisa voluntariamente quando eu perguntei o que ela destacaria na festa.

Sofia: Eu estava em uma cama de casal com outra garota, transando com ela, e adorando aquilo. Uma terceira garota chegou e disse “Eu vou deixar vocês duas aí, porque essa cena é muito bonita”. Foi um momento delicioso; eu me senti tão bem cuidada. Depois, outras pessoas foram convidadas a participar. Um cara estava tocando violoncelo. Foi incrível. Todo mundo transando. Foi muito gostoso.

Outros tipos de sexo, outras atividades

Havia sexo, obviamente. A dois, a três, a quatro, gay, lésbico, hétero, cis e trans… “Eu sou heterossexual”, disse Heliane, “mas eu me senti ótima por saber que havia bissexuais e homossexuais lá também, e que eles se sentiram aceitos por todos”.

Houve também pessoas que não transaram. E o mais importante (e isso parece ser a chave para que as mulheres tenham se sentido confortáveis e excitadas com o evento), rolou todo tipo de coisa: pintura corporal, aula de massagem (não era apenas lubrificante, mas litros de óleo para massagem disponíveis), música, dança, culinária, observação, conversa, bebida. Um fornecedor de brinquedos sexuais apareceu por lá no começo da noite para mostrar seus produtos. As pessoas chegaram e ficaram até a festa acabar na tarde seguinte, ou ficaram apenas por um curto período durante a noite.

Paquera

Flavia: Os homens tiveram que aprender uma abordagem diferente — menos direta. Existe uma noção preconcebida de que as mulheres que aderem ao amor livre estão lá apenas para satisfazer os homens, e que as mulheres que estão lá estão disponíveis e que nós vamos transar como loucas. É necessário haver uma sensação de paquera.

Problemas

Apesar de todos os avisos e regras pré-combinadas, ameaças de expulsão imediata e o impedimento de vários homens antes do evento devido ao seu comportamento no grupo on-line privado, ainda assim houve alguns problemas com homens. Um homem foi pego tirando fotos, outro estava bêbado demais e outro foi objeto de reclamação por agressividade (relatada após o fato). Isso foi tratado de maneira firme pelas organizadoras.

Lembrancinhas: Cada sachê continha uma paçoca Amor, camisinha, um frasco de lubrificante, pirulito e um pacote de mel.

Orgasmos

Sim, e dos bons, aparentemente…

Flavia: Uma vez fui a uma casa de swing e ouvia as mulheres gritarem absurdamente, como se estivessem num filme pornô. Mas nesta festa, ouvi mulheres gemendo, tendo orgasmos reais. Aquilo era prazer.

A propósito do sexo tipo filme pornô mencionado anteriormente: Em algumas ocasiões eu conversei com expatriados europeus e americanos (tanto homens quanto mulheres) que viviam no Brasil e eles fizeram comentários parecidos com os de Flavia. Eles reclamaram que os homens brasileiros esperavam que o sexo girassem em torno dos seus pênis e as mulheres brasileiras esperavam ser tomadas, apreciadas e usadas.

É claro que a pornografia influencia bastante a sexualidade em qualquer lugar do mundo, mas se tem mais influência no Brasil — ninguém ainda observou uma amostra válida estatisticamente (ou seja, milhares) de brasileiros fazendo sexo para confirmar as observações dos expatriados. Não sei por que os cientistas estão perdendo tempo com outras coisas.

Sincronicidade

Sofia: Na manhã da festa, eu estava procurando um lugar para descansar e encontrei uma cama grande. Então alguém apareceu com um suco de laranja. Foi ótimo sentir que todos estavam cuidando uns dos outros e que isso tornou todo o sexo ainda mais interessante.

Ana Paula: Foi legal ver como as pessoas estavam em sincronia. Os que não se conheciam tornaram-se amigos enquanto cozinhavam. Tudo foi muito espontâneo; como organizadoras, nós não tivemos que sair por aí dizendo que isso ou aquilo ia acontecer.

Confidências das mulheres

Heliane: Vivemos numa cultura machista. Muitos homens pensam que se uma mulher está disponível para o sexo, ele pode simplesmente usá-la e ir embora sem se preocupar com seus sentimentos. Mas as mulheres querem ser respeitadas no ato. As regras — como “não significa não” — foram estabelecidas para que as mulheres se sentissem respeitadas. Se as intenções do homem não eram boas, a mulher poderia dizer não e confiar que as coisas iam acabar ali. E se alguém passasse dos limites, correria o risco de ser expulso não somente da festa, mas do grupo.

Eu me senti muito confortável na casa; conheci as pessoas nos eventos pré-festa e por isso eu me senti livre para ser fotografada e para ter relações sexuais com alguém sem me preocupar com pudor ou me sentir julgada. (…) E o fato de que depois eu os encontraria em situações sociais fora da festa foi ótimo para que eu me sentisse confortável.

Flavia: As mulheres que expressaram suas preocupações antes da festa, ou sentiram que poderiam ficar envergonhadas, depois falaram comigo sobre como aquilo foi libertador. Alguns homens também se sentiram um pouco tímidos, mas particularmente as mulheres.

Uma mulher que estava bastante nervosa me contou depois que talvez ela tivesse bebido muito, mas que isso a ajudou a se libertar, então ela ficou com outra mulher. Uma das melhores coisas que eu vi foram quatro mulheres transando e recusando o pedido de um homem para participar. Essa foi uma das nossas principais preocupações com as festas; queríamos que as mulheres se sentissem empoderadas a dizer não.

E os homens?

Eu perguntei a Flavia sobre os homens na festa. Eles também acharam o evento divertido, libertador e prazeroso?

Flavia: Nossa ênfase era nas mulheres. Se os homens não se sentirem confortáveis, eles têm milhares de outros espaços onde podem ir e aproveitar sua liberdade sexual, já que nós não temos espaços seguros para isso. Nós sentimos que houve bastante respeito por todos nesse evento.

Embora os homens certamente tenham muito mais liberdade sexual que as mulheres nas culturas modernas, eu discordo um pouco sobre o fato de haver “milhares de outros espaços” onde eles podem se sentir sexualmente livres. Os homens também tendem a ser desprezados, pois possuímos uma gama de sexualidades, safadezas, e gostos diferentes. Para dar um exemplo simples, o violoncelista da orgia lésbica mencionado anteriormente não quis usar seu nome no artigo devido a um medo (não infundado) de repercussões profissionais.

As atuais normas culturais oprimem muito mais as mulheres, mas os homens estão longe de poderem expressar sua sexualidade livremente. Por isso que um espaço de diversão mais livre que priorize o conforto, a segurança e o prazer das mulheres pode acabar se tornando mais confortável e prazeroso para os homens também. “Se homens organizassem algo assim, não acredito que as mulheres iriam gostar”, disse Ana Paula. “Se as mulheres organizarem, todo mundo vai adorar”. O violoncelista, por sua vez, me garantiu que se divertiu muito na festa (e não só musicalmente).

Próximas festas

Sofia: Eu fiz todo tipo de coisas. Nadei no oceano, mergulhei, mas essa foi uma das experiências mais incríveis que eu já tive. Espero que aconteçam mais festas como esta.

Ela está com sorte; as três organizadoras estão trabalhando em outro evento como este para a primavera (possivelmente para durar de 2 a 3 dias, ou uma festa de aniversário de uma das organizadoras) e também gostariam de fazer alguns encontros menores, festas burlescas e eventos de fetiches. E elas planejam fazer alguns eventos somente para mulheres, como: aulas de pompoarismo, tantra, pole dancing, massagem e literatura erótica.

As organizadoras

As adoráveis organizadoras das festas.

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Ana Paula Galvão, foto de Roniel Felipe.

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Flavia Amorim, foto de Roniel Felipe.

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Regiane Moraes
Regiane Moraes

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Ana Paula
Ana Paula

 

Tradução: Filipe Teixeira. Ele nasceu em Fortaleza, Brasil, e já morou na Colômbia e em Portugal. Foi professor e hoje é tradutor. Ele também escreve no blog www.onomedissoemundo.com, que reúne textos sobre turismo e entrevistas em podcast com brasileiros expatriados.

Notes   [ + ]

1. Eu morei no Brasil, nos EUA e em vários países da Europa; não achei nenhum “mais” liberal ou “mais” reprimido. Eles são liberais e reprimidos à sua própria maneira.

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